quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A chegada e primeiras impressões...

A caravana que saiu do DCE da UFRGS na quinta- feira com destino ao Fórum Social Mundial chegou em Belém do Pará no dia 26/01, segunda-feira, percorremos cerca de 4 mil Km, ou seja, umas setenta horas de viagem com 48 pessoas a bordo. Chegamos com uma boa antecedência para fazer o credenciamento, montar o acampamento e organizar a agenda para as atividades gerais do FSM e acampamento de juventude.

Nosso ônibus não apresentava plenas condições para essa viagem, mesmo assim o clima que construímos conseguiu melhorar e muito nossa condição física e psicológica.

Mas o esforço de atravessar o Brasil vale a boa causa, não podíamos perder o FSM de volta ao Brasil, estávamos curiosos sobre estrutura e organização do espaço Fórum que encontraríamos em Belém, com certeza o Fórum Amazônico não seria igual ao Fórum de Porto Alegre. Acredito que os ativistas gaúchos pelo fato de terem vivenciado a construção de cinco FSM`s tenham criado algumas expectativas e problematizado mais o processo de construção do evento. Nesse sentido uma das constatações que posso fazer, a partir de uma ótica particular do acampamento da juventude é uma institucionalização da construção do Fórum, o governo do Estado assumiu a responsabilidade pelas questões de estrutura, mais o comitê organizador com certeza não estava com a mesma representatividade em relação aos movimentos sociais, isso é visível.

Mais penso que a importância desse Fórum está marcada pela sua localização estratégica, a pauta política que atravessa as atividades de todas as organizações é a pauta ambiental, o Fórum da Amazônia tem uma tarefa a cumprir, colocando na agenda política dos Estados a impossibilidade de pensar uma política de desenvolvimento sem colocar como eixo transversal a sustentabilidade ecológica.

A defesa da Amazônia contra o desmatamento e as monoculturas exportadoras, a denuncia dos mega-projetos de barragens e hidrelétricas no Rio Madeira, e a necessidade do reconhecimento e demarcação das terras indígenas, são debates centrais sobre a Amazônia. Mais o mais estimulante é que esses temas são discutidos por militantes do todo o mundo, e colocados principalmente por mais de mil índios, de diferentes aldeias e tribos de diversos estados do Brasil que se deslocaram até Belém para defender suas terras e culturas.

Beliza

Um comentário:

  1. Belisa e demais camaradas:
    de fato, soubemos que o governo Federal "investiu" mais que o triplo do que já financiou o FSM em PoA... e o governo do estado, também do PT, outro tanto, então dinheiro é o que não falta. Além disso o Lula se apresentou no fórum com vários ministros "...e grande elenco !". O problema não é apoiar o Fórum, é claro. O problema é o aparelhamento e os "laços" que uma dinheirama constrói. O MST, por sua atividade no sul do país já foi acusado de considerar o fórum muito governista pro gosto atual de sua direção. (Digo "gosto atual" porque êles vão e vêm quanto ao alinhamento governista. A CUT é que não vacila, governista até o fim. Vi o Ministro do Trabalho (Jackes Wagner, da CUT) dizendo ontem que o negócio para os trabalhadores é negociar redução de salários (com redução de jornada), férias coletivas de dois meses, por aí. Isto é pânico ou é cegueira ?

    ResponderExcluir